Sta Missa
Não sabemos dizer ao certo quanto tempo o povo aguardou a vinda de Jesus. Sabemos que foi um tempo muito difícil, de muito sofrimento, mortes, perseguições, pois estava sendo banida uma concepção até então cultivada e transmitida de geração em geração sobre os falsos deuses. Aqueles que acreditavam verdadeiramente no Deus Santo e Justo, continuaram firmes e aguardavam ansiosamente a chegada do Messias, do Salvador, ficando um resto de povo como diz a palavra. Ao refletir sobre este fato, vejo que nos dias de hoje não é diferente, os cristãos aguardam a volta do Filho de Deus que vira com toda a majestade e esplendor, e somente aqueles que perseverarem na fé verão a glória de Deus. Outra constatação que podemos fazer é de que como naquele tempo muitos querem resultado imediato, querem suas vidas transformadas mais num efeito fast-food (rapidez), para que esperar, a palavra “ Espera no Senhor” foi abolida de seus vocabulários e de sua bíblia. A proliferação dos fast-foods expressa bem alguns valores de nosso mundo pós-moderno. As pessoas estão cada vez mais apressadas e querem a qualquer custo minimizar esforços, diminuir o tempo e pensam que com o dinheiro é possível fazer tudo rápido e sem muito envolvimento, afinal, na era do fast-food você nem precisa conversar com um garçom ou esperar o prato chegar à mesa: você faz tudo isso de uma vez só. Essa pressa tem feito com que muitos cristãos adotem o mesmo princípio do fast-food na pratica da religião e na espiritualidade querem tudo rápido e se for necessário pagam até caro por isso. Sem tempo para orar, ler a Bíblia e nutrir comunhão com seus irmãos em Cristo eles concentram cada vez mais sua vida espiritual no domingo e de modo particular nas missas, onde vemos muitas vezes uma igreja cheia de gente vazia de Deus, desmotivadas, abatidas e sem vida. Repetindo o que fazem a semana toda ao ir ao fast-food chegam nas igrejas e querem uma alimentação bem ‘espiritual’ (para não dizer calórica) e de preferência rápida. Esperam receber naquele dia tudo o que precisarão durante a semana e como não tem muito tempo para investir em relacionamentos fazem isso de maneira solitária, sem muito envolvimento com os outros membros da Igreja. Portanto vai se tornando cada vez mais comum o cristão que transformou a vida cristã em um evento cristão de final de semana ou então uma vida de oração em um momento semanal de oração. Se a vinda de Jesus fosse aos dias de hoje talvez alguns discípulos, ao serem convocados para segui-lo, diriam que não teriam tempo ou que só poderiam fazê-lo nos finais de semana. Outros diriam que o discipulado em tempo integral por três anos seria impraticável. Alguns reclamariam do Sermão da Montanha que sem dúvida foi demorado. E é quase certo que alguns o criticariam pela demora da ressurreição. Com a mentalidade desse tempo o discipulado que Jesus imprimiu e o estilo de vida que deixou como exemplo simplesmente não serviria. E também seria impraticável o modelo de Igreja encontrado no Livro de Atos onde diariamente os discípulos estavam juntos, orando, louvando e desfrutando de comunhão. Isso tudo porque nosso cristianismo foi reduzido a um programa que acontece em nossos horários de folga. Pensemos nisto pois o tempo é breve, Jesus teve todo um tempo de preparação para que hoje nós usufruamos desta graça, Deus preparou tudo e a seu tempo tudo se realizou, a vida, a morte, a ressureição, Ele vive e esta no meio de nós, saibamos aproveitar de maneira adequada o nosso tempo com Jesus, pois é nele que encontramos força, sabedoria, alegria e paz, e tudo a seu tempo não no método fast-food. Feliz Pascoa.
Irmã Anice de Cassia Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Anuncia-Me

Comunidade Anuncia-Me

Somos leigos consagrados, nossa missão é anunciar o evangelho a toda criatura, alem do nosso projeto social Espaço Vida, visando a recuperação do ser humano como um todo.

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