A beleza da família baseada no casamento entre homem e mulher e a doutrina da indissolubilidade do matrimônio foram destacados pelo Relatório Final do Sínodo dos Bispos, conforme afirmou o Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis.

Dom Raymundo foi um dos presidentes-delegados do Sínodo, que ocorreu de 4 a 25 de outubro, no Vaticano, e falou aos jornalistas no Seminário Bom Jesus, em Aparecida (SP),  sobre questões debatidas pelos padres sinodais e abordadas no documento final encaminhado ao Papa Francisco.

O Arcebispo apontou a importância da preparação dos casais que receberão o sacramento do matrimônio como uma das prioridades do Sínodo. O Cardeal ressaltou que o desejo da Igreja é que “as pessoas vivam o matrimônio como vocação”, e não como uma exigência jurídica ou tradição.
Dom Raymundo enfatizou a necessidade de preparação dos futuros esposos.

“O documento fala em uma preparação remota que se faz desde o seio da família, onde as crianças são educadas para os valores humanos e cristãos. Fala também da preparação mais próxima e da preparação imediata, de modo que ao abraçar o matrimônio, a pessoa tem que se preparar, como se prepara para qualquer vocação, para qualquer missão”, indicou.

O Arcebispo analisou a situação atual e disse que, muitas vezes, o que acontece com os noivos que querem se casar é que eles têm “uma preparação de poucas horas”, o que contrasta com a responsabilidade que vão assumir, a qual é “para a vida toda”.

“O Sínodo lembra a importância dessa preparação dos noivos que vão abraçar o matrimônio, não como eu disse como uma exigência meramente jurídica, ou por uma questão social, tradicional, mas vão abraçar este estado de vida, como uma vocação, como um chamado de Deus”.

“…o matrimônio se trata de uma entrega “a um amor pleno total, a seu esposo, esposa, com um amor uno e indissolúvel aberto à vida e com uma grande responsabilidade social, tanto na sociedade como na Igreja”. Isso, alertou, “não pode ser improvisado”.

O Arcebispo de Aparecida ainda esclareceu que o Sínodo funciona como indicador de possíveis caminhos pastorais quanto a temas que se referem a realidade familiar. Mas, ressaltou que cabe ao Papa dar os encaminhamentos posteriores e “utilizar para uma eventual exortação apostólica pós-sinodal, que se torne documento com o seu selo, válido como magistério da Igreja, para toda a Igreja”.

“O Sínodo não decide, ele apenas sugere, propõe e faz recomendações. O Papa que depois toma decisão de dar encaminhamento a essas conclusões”, declarou.

O Cardeal Raymundo Damasceno comentou ainda sobre os números 84, 85 e 86 do Relatório Final, que trata sobre a participação dos divorciados e recasados, sob o subtítulo “Discernimento e integração”.

“No documento, em nenhum momento, fala-se de confissão ou comunhão dos casais que contraíram uma segunda união, depois de ter se separado”, ressaltou o Arcebispo.

Segundo ele, o documento dá algumas orientações importantes em relação a esses casos. Neste sentido, ressaltou as duas palavras que formam este subtítulo do relatório: discernimento e integração.

Dom Damasceno explicou que é preciso atender com misericórdia e acolhimento esses casais, mas isso não significa negar o caráter indissolúvel do sacramento do matrimônio, mas sim um modo da Igreja compreender essas realidades.

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