O que são esses “pecados”, por que “capitais”, qual é sua hierarquia, o nome de seus demônios e o mais relevante: como vencê-los?

Combater o mal (nossos erros, nossos vícios) é uma tarefa que não tem fim.

É decisão moral que exige a constância digna de um Sísifo, que no mito, dia após dia, por toda eternidade, arduamente empurra uma grande pedra morro acima e, assim que atinge o cume, a maldita volta a rolar abaixo.

E se o Demônio não se revela devidamente paramentado”, lidamos com um símbolo do mal que, embora não possa ser apreendido em conceitos puros, deixa funestos rastros a perpassar toda realidade que nos circunda.  Uma vez que o mal não se apresenta à luz senão como ameaçadora sombra a obscurecer a psyche (alma) humana, arrebatando-nos às profundezas do desespero, perscrutemos suas maiores pegadas a fim de compreender seu modus operandi e refletir sobre qual o reto convívio.

Quando tentados, precisamos lidar com o que tenta limitar nossa liberdade, se apossando de nossa vontade. São Tomás de Aquino observador atento e sagaz, retomou os estudos de alguns mestres (Atanásio, Antão, Cassiano e Gregório Magno – que em 590 d.C. reexamina a lista de 375 a.C., legada pelo célebre monge Evágrio Pôntico), antigos sábios que antes dele também se aventuraram a fazer – como nos diz o especialista Jean Lauand – uma “tomografia da alma humana” a fim de descrever a ação fenomenológica dos “maus daimons” em nós. Esses antigos estudos sobre os maus demônios (demonologia) não se limitaram a aspectos dogmático-religiosos; são construções éticas que tiveram impacto na história, na sociedade e na psicologia.

Assim, voltando-se para a realidade mundana, para o dia a dia das pessoas, ele compilou os principais maus hábitos que exercem uma influência espiritual invisível e, se desatentamente permitidos e inadvertidamente cultivados, culminarão naqueles que até hoje conhecemos como sendo os principais erros, os vícios de caput: Os Sete Pecados Capitais.

O vício, compromete muitos aspectos da conduta; é uma restrição à autêntica liberdade e um condicionamento para agir mal”.  O que são esses “pecados”, por que “capitais”, qual é sua hierarquia, o nome de seus demônios e o mais relevante: qual é o antídoto (virtude) para vencê-los?

A esses sete grandes modos de desassossego, o medievo denominou “vícios” ou “pecados”; o grego antigo apontaria como sendo “erro” (hýbris, a desmedida), hoje compreendemos tratar-se de condutas que comprometem o bem-estar físico e psíquico, tanto nosso quanto daqueles que nos cercam.

A Igreja ensina: temos 7 pecados capitais e 7 virtudes opostas

Sete são os pecados capitais do ser humano.

Sete são as virtudes de elevação espiritual.

Os pecados capitais correspondem aos pecados do corpo e do espírito.

Três pertencem ao espírito (Soberba, Ira, Inveja)  e quatro pertencem ao corpo (Luxúria, Gula, Avareza e Preguiça).  Chamam-se capitais porque a cabeça é a fonte de todos os pecados.

Os pecados capitais são uma classificação dos piores vícios humanos, que mais ofendem e ferem ao Amor e à Deus. Ao Amor, que é o sentimento mais puro e nobre da natureza humana.

E à Deus, que é fonte inesgotável de graças e bênçãos.

Vamos conhecer um pouco sobre o pecado capital da soberba e como vencê-lo com a Graça do Senhor:

 

 

Pecado Capital

da  Soberba

 

Ambição desmedida por poder, fortuna e honrarias. Manifestação arrogante de um orgulho ilegítimo. Auto estima excessiva, auto suficiência, sentimento exacerbado de dignidade pessoal.

A pessoa soberba pensa que sabe tudo, que é superior aos demais ,que está sempre certo e que tem sempre razão, é cheio de si e trata a todos com desprezo. Todo ser humano é, em essência, bom.

Todos nós trazemos inscritos em nossa mente e na nossa consciência a moral e as leis de Deus. Mas nós podemos anestesiar esse instinto divino a partir do pecado ( Rom 7, 16-20 ), que está presente como uma mácula em nossa alma desde Adão e Eva, como nos mostra a Bíblia ( Gen 3, 1-13 )

Quando pecamos, nós preferimos a nossa lei à lei de Deus, fazer o que bem entendemos, muitas vezes não levando em conta as consequências.

Pecado Capital  ( de capita = cabeça, o pecado que é a cabeça ) é o pecado que leva a outros pecados, outros vícios.

Virtude ( de vir = varão, homem, que significa firmeza ) é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Não apenas pratiquemos atos bons ( pois até o pior criminoso é capaz de ter atos bons ocasionalmente ), mas sim sejamos bom, verdadeiros cristãos.

De acordo com a tríplice divisão da alma, os estudiosos estratificaram as principais paixões às quais o ser humano sucumbe:

  1. a) o epitimético diz respeito aos instintos mais primitivos, as necessidades mais básicas, daí suas fraquezas serem a gula, a luxúria e a avareza (ganância);
  2. b) a parte ligada ao thymós, ao coração é emocional, desencadeia estados negativos de ânimo e são ainda mais difíceis de serem superados: a preguiça (acídia), a ira e luxuria;
  3. c) o nôus refere-se ao espírito e corresponde aos vícios da inveja e da vaidade (soberba).

 

– SOBERBA –  Orgulho

O Princípio de todo pecado é o orgulho, a vaidade, pois é a tentativa de se igualar a Deus de ser auto-suficiente, senhor de si mesmo , passando por cima da autoridade de Deus.

O Orgulho caracteriza-se por acharmos que os dons de Deus vêm de nós mesmos. Leva aos pecados da presunção, da vanglória Gn 11 .

Nós passamos a procurar sempre reconhecimento, elogios, por nossos atos e acabamos nos gabando das coisas que fazemos.  Com orgulho a pessoa desanima no fracasso, pois acha-o impossível.

 

 Virtude : Humildade- REMEDIO CONTRA SOBERBA

 É o reconhecimento de nossa pequenez. No final das contas   é a  verdade sobre nó mesmos, sabendo que tudo é Dom de Deus. Devemos recorrer a Nossa Senhora, que foi exemplo de humildade, para pedir essa virtude.


 
A virtude da humildade constitui o alicerce de todas as outras virtudes.

A humildade atrai sobre si o amor de Deus e o apreço dos outros, ao passo que a soberba os repele.

O homem humilde compreende melhor a vontade divina e sabe o que Deus lhe vai pedindo em cada circunstância.  O humilde respeita os outros, as suas opiniões e as suas coisas; possui uma especial fortaleza, pois apóia-se constantemente na bondade e onipotência de Deus: “Quando sou fraco, então sou forte”, proclama São Paulo.

A ambição, uma das formas de soberba, é causa freqüente de mal-estar em quem se deixa levar por ela. “Por que ambicionas os primeiros lugares?  Para que estar por cima dos outros?”, pergunta-nos São João Crisóstomo.

A virtude da humildade não tem nada a ver com a timidez ou a mediocridade.  A humildade leva-nos a ter plena consciência dos talentos que Deus nos deu, mas para fazê-los render com o coração reto.

A humildade faz que tenhamos consciência clara de que os nossos talentos e virtudes, tanto naturais como na ordem da graça, pertencem a Deus, porque da sua plenitude, todos recebemos.

Tudo o que é bom vem de Deus; a deficiência e o pecado, esses, sim, são nossos. Humildade é reconhecer que valemos pouco – nada -, e ao mesmo tempo sabermo-nos “portadores de essências divinas de um valor inestimável”.

A humildade elimina os complexos de inferioridade – que com freqüência resultam da soberba ferida -, torna-nos alegres e serviçais, sequiosos de amor de Deus: Nosso Senhor porá em nós tudo o que nos faltar.

Só o humilde procura a sua felicidade e a sua fortaleza no Senhor.

Um dos motivos pelos quais os soberbos andam à cata de louvores e se sentem feridos por qualquer coisa que possa rebaixá-los na sua própria estima ou na dos outros, é a falta de firmeza interior; o seu único ponto de apoio e de esperança são eles próprios.

Os maiores obstáculos que o homem encontra para caminhar no seguimento de Cristo têm a sua origem no amor desordenado de si próprio, que o leva umas vezes a supervalorizar as suas forças e, outras, a cair no desânimo e no desalento.

São Bernardo indica diferentes manifestações progressivas da soberba: a curiosidade, o querer saber tudo de todos; a frivolidade de espírito, por falta de profundidade na oração e na vida; a alegria tola e deslocada, que se alimenta freqüentemente dos defeitos dos outros e os ridiculariza; a jactância; o prurido de singularidade; a arrogância; a presunção; o não reconhecer jamais as falhas próprias, ainda que sejam notórias; a relutância em abrir a alma ao sacerdote na Confissão, por parecer que não tem faltas.

O soberbo é pouco amigo de conhecer a autêntica realidade do seu coração e muito amigo de calcar os outros aos pés, seja em pensamento, seja pelas suas atitudes externas.

Juntamente com a oração, que é sempre o primeiro meio de que devemos socorrer-nos, procuremos ocasiões de praticar habitualmente a virtude da humildade: nos nossos afazeres, na nossa vida familiar, quando estamos sozinhos, sempre!

A humildade é tão necessária para a salvação que Jesus aproveita qualquer circunstância para colocá-la em relevo.

Procuremos, na medida do possível, falar pouco de nós mesmos, dos nossos assuntos, daquilo que nos exaltaria aos olhos dos outro ; procuremos evitar sempre a ostentação de qualidades, bens materiais, conhecimentos.

Aceitemos as contrariedades com paciência, sem mau-humor, oferecendo-as com alegria ao Senhor; aceitemos sobretudo as pequenas humilhações e injustiças que se produzem na vida diária.

Passemos por alto os erros alheios, desculpando-os e ajudando-os com uma caridade delicada a superá-los; cedamos à vontade dos outros sempre que não esteja envolvido o dever ou a caridade.

Aceitemos ser menosprezados, esquecidos, não consultados nesta ou naquela matéria em que nos consideramos mais experientes ou em mais conhecimentos; fujamos de ser admirados ou estimados, retificando a intenção perante os louvores e elogios.

Devemos procurar alcançar o maior prestígio profissional possível, mas por Deus, não por orgulho, nem para pisar os outros.

Aprenderemos a ser humildes se nos relacionarmos sempre mais intimamente com Jesus.

 

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