Neste dia celebramos a festa de São Barnabé. “Barnabé” é o nome da origem aramaica que significa “filho (bar) da profecia (nabiah) ou da exortação”, ou “filho da consolação” (Bar-nehámah), Consolador (At 4,36).

Relativamente poucas as notícias que a história conservou sobre Barnabé. Ele era procedente da diáspora (de Chipre) e se estabeleceu em Jerusalém e incorporado ao grupo dos pilares da Igreja primitiva. Ele se converteu ao cristianismo depois da ressurreição do Senhor, imediatamente depois da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, em Pentecostes, e se tornou um grande colaborador dos Apóstolos.

Depois que fez parte do cristianismo, Barnabé vendeu um campo de sua propriedade e entregou generosamente o dinheiro aos Apóstolos para a necessidade da Igreja (cf. At 4,37). Em virtude deste desprendimento heróico “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum” (At 4,32b). Este foi o conselho de Jesus ao jovem rico que lhe pedia maior perfeição: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres… Depois, vem e segue-me” (Mt 19,21). Mas o jovem rico não aceitou o convite de Jesus. O que não fez o jovem rico, Barnabé o praticou. A generosidade de Barnabé e sua compaixão pelos indigentes moveram a comunidade cristã de Antioquia a confiar-lhe (com Saulo) a missão de ir a Jerusalém (Judéia) para distribuir entre os fieis necessitados as contribuições (cf. At 11,27-30).  Por ter o espírito generoso, criativo e abnegado recebeu dos Apóstolos o sobrenome de “Barnabé” que significa “Filho da profecia” ou “Filho da consolação”. Conforme At 4,36 o nome de Barnabé era José.

Barnabé era um pregador inspirado. Tinha um coração sensível e possuía uma palavra fácil, doce e persuasiva com o qual ele ganhava a simpatia de todos. Sobre ele o evangelista Lucas (também é o autor dos Atos dos Apóstolos) escreveu que Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e da fé: “(Barnabé) era um homem bom, repleto do Espírito Santo e de fé. Assim, considerável multidão agregou-se ao Senhor” (At 11,24). Tudo o que é belo atrai. A bondade e a docilidade são belas e por isso, atraem qualquer pessoa. Por estas qualidades e com sua colaboração com e na graça de Deus, unidas a uma extensa cultura vasta adquirida na escola de Gamaliel (Barnabé era conhecido como profeta e doutor. Cf. At 13,1), Barnabé chegou a desempenhar um papel preponderante na organização da Igreja primitiva.

Com Paulo, Barnabé vai ao Concilio de Jerusalém durante o qual foi decidido o término da prática da circuncisão para ser cristão (cf. At 15,1-35). Com essa decisão torna-se possível oficialmente a Igreja sem circuncisão, a Igreja aberta para os pagãos que se convertem: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo.

São Barnabé foi considerado por muitos Santos Padres (Padres da Igreja) como verdadeiro apostolo de Cristo, com todos os privilégios inerentes a dito cargo. Na liturgia Barnabé ocupa um grau quase ao dos Apóstolos e seu ofício litúrgico é tirado do Comum dos próprios Apóstolos. 

Em sua breve passagem pelo mundo São Barnabé deixou-nos exemplo de sua vida e de sua personalidade: espírito aberto à verdade, desprendimento dos bens materiais, bondade e docilidade no tratamento aos demais, aceitação e vivência dos ensinamentos de Cristo, prontidão em ser missionário-evangelizador, humilde discernimento dos talentos dos outros (especialmente de Paulo) sem nenhuma fraqueza ou hipocrisia (Paulo e Barnabé tiveram suas oposições, discórdias e controvérsias no início da segunda viagem missionária. Cf. At 13,13; 15,36-40).

As normas de absoluta privação que são impostas por Jesus aos discípulos no evangelho desta festa: não levar nem ouro, nem prata, nem sandálias, nem bastão, parecem absolutamente inviáveis. Será que realmente tudo isso que se pede? Estas exigências parecem estar tomadas das normas estabelecidas para participar do culto a Deus no templo: “que ninguém entre no templo com bastão, sapatos nem com a bolsa de dinheiro”. Partindo desta norma judaica se diria simplesmente que os discípulos, na realização de sua tarefa evangelizadora devem fazer a mesma coisa diante de Deus e devem viver como estando na presença de Deus, sabendo que o êxito da missão depende de Deus. Diríamos que os discípulos devem partir desarmados para enfatizar que a obra é de Deus e não de um ser humano. Este estilo é chamado de “pobreza evangélica” que não se apóia nos meios materiais e sim na ajuda de Deus e na força de Sua palavra. Nós devemos confiar mais na força de Deus do que em nossas qualidades ou meios técnicos.

Proclamai que o reino de Deus está próximo”. Muitas vezes se busca Deus demasiadamente longe. De fato ele está próximo de nós. O Deus que Jesus revela é um Deus próximo, um Deus amoroso. Por isso, jamais eu estou sozinho, inclusive quando me sinto abandonado ou solitário. Para poder proclamar aos demais sobre a bondade, a proximidade da presença de Deus, o cristão-missionário há que ter feito a experiência do Deus próximo em si mesmo pessoalmente.

Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”.  O cristão-missionário é aquele que distribui benefícios, aquele que faz o irmão crescer e viver a vida dignamente, aquele que leva a paz. A partir disso, é bom cada se perguntar: “Qual será minha maneira de ajudar, de servir, de distribuis benefícios para os outros irmãos?”.

Recebestes de graça, de graça dai!”. Além de ter uma vida despojada, o cristão deve ser generoso e viver na gratuidade. O cristão-missionário deve atuar com desinteresse econômico, não buscando seu próprio proveito.Todos sabem que quanto mais se tem, mais se quer. A felicidade ficará cada vez mais distante quando o ser humano começar a criar mais necessidades. Aquele que sabe reduzir ao mínimo suas necessidades encontra uma alegria e uma liberdade maior. Possuído ou dominado pelas coisas o homem perde sua liberdade. 

Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós”.  O cristão deve propor a Boa Nova e não se pode impor: os homens ficam livres. A tarefa do cristão-missionário é oferecer a paz e a alegria. Dar alento. O cristão deve saber que o trabalho não é forçar de qualquer maneira, nem Jesus fez isso. A tarefa do cristão-missionário é formular a proposta clara e convincente e logo deixa para a liberdade do homem.

A missão está marcada pela constante ameaça dos anti-valores da sociedade e pela oposição dos filhos das trevas. Estes são verdadeiros lobos que sacrificam seus irmãos para obter benefícios pessoais. Os evangelizadores não podem ser ingênuos diante deles. Os cristãos devem manter sua simplicidade, mas acompanhada pela prudência para agir sabiamente e eficazmente: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas”.

Em resumo: o cristão deve ser despojado, simples, pacífico, prudente e desarmado. Só com estas qualidades ele convence qualquer um para ser parceiro do bem e para ser novo evangelizador. 

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