Para o diretor do Centro para a Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, padre Hans Zollner, a proximidade e a assistência espiritual do Papa com as vítimas de abusos é tão importante, que representa  uma ocasião de cura e de reconciliação para eles próprios e a Igreja.

“E aqui não posso deixar de expressar o pesar e a vergonha que sinto perante o dano irreparável provocado às crianças por ministros da Igreja. Desejo unir-me aos meus irmãos no episcopado, porque é justo pedir perdão e apoiar, com todas as forças, as vítimas, ao mesmo tempo que nos devemos empenhar para que isso não volte a repetir-se.”

No encontro com as autoridades chilenas no Palácio La Moneda, o Papa Francisco pediu perdão  pelos crimes de pedofilia cometidos por alguns sacerdotes e que abalaram a Igreja local. Já na Nunciatura em Santiago, após o almoço, Francisco recebeu um grupo de vítimas de abusos e se emocionou ao ouvir os seus relatos.

O jesuíta padre Zollner comentou falou ao Vatican News sobre estes gestos de Francisco:

“Não é a primeira vez e mostra que a atenção pelas vítimas ocupa realmente o primeiro lugar, está entre as prioridades do Papa Francisco. Ele próprio encontrou em sua casa – na Santa Marta, aqui no Vaticano – em julho de 2014, um grupo de vítimas de abusos por parte de sacerdotes. Também eu estava presente naquela ocasião porque devia traduzir, e portanto vi com os meus próprios olhos como o Papa reage diante de tanto sofrimento e de tanta dor. O que o Papa disse ontem e o que fez mais tarde ao encontrar as vítimas, mostra o quanto ele está consciente, consciente também do fato de que a Igreja deve fazer muito mais para a assistência às vítimas. E o Papa dá o próprio exemplo, que é muito importante”.

O diretor da Sala de Imprensa explicou que este grupo de vítimas de abusos pode contar ao Papa os próprios sofrimentos. O Papa ouviu, rezou e chorou com eles. O que se poderia dizer deste gesto?

“O que um representante da Igreja, um bispo ou um responsável de uma escola onde acontecem estas coisas deve fazer, é simplesmente ouvir: o que a maior parte das vítimas de abusos busca e pede é a escuta. Todavia, não uma simples escuta – “Te darei agora dois minutos”, e depois passa… – mas uma escuta verdadeira, com o coração e a mente abertos. É exatamente isto que imagino tenha acontecido em Santiago, assim como aqui no Vaticano, e como acontece cada vez que o Papa encontra as pessoas que tiveram grandes sofrimentos, também por abuso sexual por parte de sacerdotes e clérigos. Porque o Papa é uma pessoa que tem um coração que se abre enormemente, está realmente próximo às vítimas e escuta aquilo que contamos. E isto é muito importante, porque a sua empatia, proximidade e também a sua assistência espiritual, neste momento, é de tal forma importante que podem ser dados passos de cura muito importantes. Isto eu mesmo pude testemunhar, porque estive em contato, a partir de julho de 2014 – data em que estivemos com o Papa – com algumas vítimas. As duas pessoas que eu acompanhava, a partir daquele momento, deram grandes passos  em frente em suas vidas e tiveram uma “cura”, se assim posso dizer. De qualquer maneira, foi um percurso de reconciliação com as suas vidas, com aquela ferida profunda, e também com a Igreja”.

Padre Zollner, hoje nos jornais italianos foi dado muito destaque a estas palavras sobre a pedofilia e sobre os abusos sexuais. É um tema que continua a chamar muito a atenção da opinião pública, não é verdade?

“Certamente, é um tema que não nos deixará. Como sempre disse, este é um tema que estará em voga por muito tempo. No Chile, onde estive há quatro anos, já na época a situação era muito intensa. O Chile é um país da América em que, por várias regiões, mesmo políticas e dentro da Igreja, a atenção por estes fenômenos é elevada. Mas a Igreja Católica mostra uma diversidade de respostas em relação às várias Igrejas locais que, a meu ver, verão ainda observações e revelações sobre o quanto a Igreja local é capaz de acolher as vítimas e de fazer todo o possível para levar em frente e desenvolver a capacidade de prevenção dos abusos. Porque obviamente o passado não podemos mudar, mas no presente devemos trabalhar para que não se repitam acontecimentos como estes”.

Fonte: Vatican News

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