GIOVANNI ANGELO BRASCHI nasceu no dia 25 de dezembro de 1717, na cidade de Cesena, Itália. Morreu no dia 29 de agosto de 1799, na cidade de Valença.

Formou-se advogado aos 17 anos. Aos 38, foi ordenado sacerdote. Em 1773, o papa Clemente XIV o ordenou cardeal. Eleito papa, foi coroado em 22 de fevereiro de 1775. A paz dos anos iniciais do seu pontificado lhe permitiu realizar obras de utilidade pública e de caridade. Reorganizou museus. Saneou os pântanos pontinos, causa de febres malignas. Sofreu com a intromissão de alguns reis em assuntos da Igreja Católica. José II da Áustria, por exemplo, passou à história alcunhado de “o rei sacristão”, por perseguir conventos e religiosos, sob o manto de proteção. Numa tentativa de modificar o ânimo desse príncipe, empreendeu até Viena uma viagem, apostólica e triunfal.

Pouco conseguiu das cortes, mas sobre estas desabou a violência da Revolução Francesa. Tombaram os tronos, expulsaram-se ministros onipotentes, caíram cabeças de nobres e de revolucionários. A razão, representada por uma mulher revolucionária entronizada no altar mor da Catedral de Notre Dame, cedia seu “império” à revolucionária guilhotina. Contestavam-se diversos princípios religiosos, havendo forte tendência ateísta. Foram imolados o rei Luís XVI de França, a nobre Maria Antonieta, o poeta André Chenier, o sábio Antoine Lavoisier, príncipes, bispos, sacerdotes, nobres e burgueses, e outros milhares de franceses (e por último a maioria dos chefes da Revolução: Georges Danton, Jean-Paul Marat, Maximilien Robespierre, Jacques Hébert, etc).

Em 1796, tropas da República Francesa, sob o comando de Napoleão Bonaparte, invadiram a Itália, derrotaram o exército papal e ocuparam Ancona e Loreto. O papa pediu a paz, que foi concedida em Toletino, em 19 de fevereiro de 1797. Mas em 28 de dezembro do mesmo ano, num motim realizado pelas forças papais contra alguns revolucionários italianos e franceses, o popular brigadeiro-general Mathurin-Léonard Duphot, que havia ido a Roma com José Bonaparte, como parte da embaixada francesa, foi morto, surgindo assim um novo pretexto para invasão. Então, o general Berthier marchou para Roma, sem oposição, em 10 de fevereiro de 1798, e proclamou a República Romana, exigindo do papa a renúncia de seus poderes temporais.

Como houve a recusa, o pontífice foi feito prisioneiro. Em 20 de fevereiro, foi escoltado do Vaticano para Siena e de lá para Certosa, cidade próxima a Florença. A declaração francesa de guerra contra a Toscana levou à remoção do líder da igreja pelo caminho de Parma, Piacenza, Turim e Grenoble para a cidadela de Valença (Valence-sur-Rhône), onde faleceu em 29 de agosto de 1799. Superara os 81 anos de idade e os 24 de pontificado, o mais longo até então. A viagem do cidadão-papa, como o chamavam os franceses, que o levaram brutalmente através da Itália, foi longa e penosa. As suas últimas palavras foram dirigidas a Deus pedindo o perdão para os seus carcereiros. O clero constitucional negou ao cadáver um enterro cristão. Em janeiro de 1800, Napoleão Bonaparte autorizou que o seu corpo fosse levado para Roma. Em 1801, os restos foram sepultados nas grutas vaticanas e depois depositados na cripta da Basílica de São Pedro no Vaticano, em meados do século XX, a mando do papa Pio XII.

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