“Identificar caminhos para a evangelização dessa porção especial do Povo de Deus, os indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno”: estas palavras não retornam aos ouvidos e corações apenas dos povos amazónicos nesta sexta-feira (19/01), mas de todas as pessoas que querem bem à Casa Comum e ao planeta onde vivemos. São as palavras pronunciadas pelo Papa Francisco no último dia 15 de outubro, quando anunciou que em outubro de 2019, vai se realizar um Sínodo no Vaticano para analisar os desafios sociais e, sobretudo, eclesiais, da Pan-amazônia.

Riqueza de culturas e etnias

Nesta região de diversidades culturais imensas, uma das principais mensagens que o Papa está trazendo é precisamente ‘aprender a respeitar nossas diferenças, e não apenas tolerá-las’. A opinião é do Padre Fernando Roca Sj, teólogo, professor de antropologia na PUC de Lima e também especialista em etnobiologia, botânica e estudioso de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Morou em Belo Horizonte (MG), na França – onde se especializou -, e 15 anos no ‘mato’, como ele diz, no norte do Peru.

Na véspera do encontro no Coliseu Madre de Dios com o Papa Francisco, bispos de vicariatos dos 9 países da Amazônia se reuniram com uma representação de povos indígenas em uma grande Assembleia com cores e sons amazônicos e muita reflexão sobre a Encíclica Laudato si.

O parecer de quem participou

Irmã Irene Lopes, assessora da Rede Eclesial Pan-amazônica, REPAM, falou com o Vatican News logo após o evento que a seu ver, foi uma bela preparação para a visita do Papa.  

Já para Dom Pedro Barreto, arcebispo de Huancayo e vice-Presidente da REPAM, “esta experiência de Assembléia indígena é única na história”.

“Os povos indígenas querem uma Igreja que os acompanhe em suas lutas; e pedem uma presença concreta, permanente e inculturada”, afirma com segurança Maurício Lopez, secretário-executivo da REPAM.

Participarão do encontro no ginásio de esportes de Puerto Maldonado líderes de toda selva do Peru e centenas de índios provenientes da Bolívia e do Brasil, os três países cujos territórios representam 13, 11 e 67% da Amazônia, respectivamente.

Por Cristiane Murray – Puerto Maldonado

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